Mesa sobre jornalismo independente marca o 1º Seminário Desafios do Jornalismo

Os alunos puderam conversar com representantes da Agência Lupa e Projeto Colabora 

 

A internet possibilitou o surgimento de vários veículos de comunicação, além de popularizar e dar voz ao jornalismo independente, como são chamados aqueles meios não ligados aos tradicionais grupos de comunicação. Como dois exemplos de destaque, a Agência Lupa – especializada em fact-checking – e o Projeto Colabora, com foco em sustentabilidade, com conteúdo colaborativo e que já ganhou o Prêmio Petrobras em 2017 com uma série de reportagens sobre Belo Monte (PA).

 

 

Em uma sociedade marcada pelas fake news e pelo compartilhamento de conteúdos através de aplicativos de mensagem e redes sociais, tem sido muito discutida a perda de credibilidade dos tradicionais meios de comunicação. Por outro lado, a preocupação quanto à veracidade de informações têm crescido, ainda que muitas pessoas não se preocupem em fazer uma checagem de fatos antes de encaminharem notícias.

 

Com a popularização das redes sociais, perfis de jornalismo independente, como a Agência Lupa e o Projeto Colabora, atingiram um público que se interessava por notícias e reportagens feitas por um olhar sem ligação com veículos tradicionais. Apesar disso, esses veículos encontram muitos desafios para se manterem ativos e sustentáveis economicamente.

Essas questões foram debatidas em uma mesa redonda intitulada Desafios do jornalismo independente e empreendedor, realizada durante o 1º Seminário Desafios do Jornalismo, que aconteceu no campus Tijuca da Universidade Veiga de Almeida (UVA), no dia 30/9. A mesa foi composta por Agostinho Vieira, um dos criadores do Projeto Colabora, junto com Gilberto Scofield Jr., que atua como diretor de estratégia e negócios da Agência Lupa, pioneira na especialização em fact-checking no Brasil. 

 

Eles ainda citaram o uso de inteligência artificial no combate às fake news e também reafirmaram a importância das redes sociais para o crescimento das agências. “Elas são, hoje, o que as bancas de jornal eram antes para os impressos. Da nossa audiência, 90% vêm do Facebook, Google ou Twitter. É importante saber trabalhar com cada uma delas, cada uma tem a sua especificidade, mas para um site nativo digital, somente 10, 20% dos acessos vêm de pessoas que acessam o site pelo navegador”, destacou Agostinho Vieira.

 

A Agência Lupa tem bastante destaque na internet, com mais de 162 mil curtidas e cerca de 165 mil seguidores. Ela é parceira de empresas como Google, por meio do Lupabot, e do Facebook, para o qual atua na checagem de posts e reporta à rede social se a publicação é uma fake news ou não. A agência também promove palestras e oficinas de treinamento corporativo para checagem de informações. 

 

Já o Projeto Colabora tem como principal parceiro a Coca-Cola Brasil, apesar de também fazer trabalhos para outras empresas. Conta com cerca de 155 mil curtidas e 160 mil seguidores na página do Facebook. Além disso, possui cerca de 300 colaboradores. 

 

Para a estudante de jornalismo Fabyane Melo, a mesa esclareceu algumas dúvidas e foi bastante enriquecedora. “A gente conseguiu entender como funciona uma startup que visa à checagem de notícia e uma mídia independente que tem como base a sustentabilidade. A mesa possibilitou novos olhares para o jornalismo e me fez repensar no mercado de trabalho em si. As agências de checagem ajudam a tornar o jornalismo cada vez mais verdadeiro. Além de obrigarem os jornalistas a pesquisarem e apurarem mais e melhor, porque ninguém quer ter o seu nome associado a uma fake news”, afirmou. 

 

Por João Henrique Oliveira, 6º período 

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